Nos últimos meses, a Editora Opet e o educador Vasco Moretto – um dos maiores intelectuais brasileiros na área de educação – fizeram uma aproximação estratégica. O objetivo é reforçar a qualidade dos serviços educacionais oferecidos pela Editora, ajustando-os ao que existe de mais avançado. A seguir, você confere uma entrevista exclusiva com Vasco Moretto, na qual ele explica a abrangência do trabalho. Como você vai perceber, as perspectivas para 2010 são excelentes. Confira!
Portal Opet - Nos últimos meses, o senhor a e equipe de colaboradores da Editora Opet vêm desenvolvendo um trabalho em parceria. Que tipo de trabalho é esse?
Vasco Moretto – Nós começamos um trabalho em 2009, com reflexos sobre 2010, procurando unificar a linguagem dos três segmentos fundamentais que formam a Editora. O que produz o material, o que vende esse material e o que dá suporte aos professores em sua utilização. Esses três segmentos devem falar a mesma linguagem e ter a mesma linha de orientação. Alguém do departamento comercial, por exemplo, não pode vender um produto que não corresponda à descrição feita no contexto da venda. Da mesma forma, não pode vender um produto cujo suporte seja diferente do prometido. Então, a ideia do meu trabalho aqui na Opet é justamente dar uma linha, aliás, é ajudar a fortalecer a linha que já existia por meio da unificação da linguagem, com uma mesma orientação, para que seja possível potencializar a identidade Opet.
Portal Opet – O senhor é um intelectual bastante conhecido da área educacional. Diante disso, a relação que se faz é do seu trabalho com professores e pedagogos. Como é trabalhar com profissionais de vendas?
Vasco Moretto – Uma pessoa que vende automóveis deve, necessariamente, entender um pouco do funcionamento de um automóvel, sob pena de vender gato por lebre. Então, na minha interpretação, o vendedor deve ter a linguagem e a empolgação necessárias a essa tarefa, mas, ao mesmo tempo, deve, também, saber dar respostas a quem pergunta. “Que material é esse que você está vendendo? Quais são os pressupostos sobre os quais ele se fundamenta?” Quem vai a escola para vender um sistema de ensino fatalmente vai encontrar pessoas que têm conhecimentos pedagógicos. E se esse vendedor não souber responder, a situação fica difícil. A ideia é inusitada, é nova, e eu até falei ao professor Karam [diretor-presidente do Grupo Educacional Opet] que o ideal seria começar por aí, que seria importante fazer com que o pessoal do Departamento Comercial conhecesse seu produto do ponto de vista pedagógico. Os pressupostos, os fundamentos, o que ensinar e o que aprender. E, para minha surpresa, a reunião que eu tive com o pessoal de vendas foi fantástica, todos eles vibraram, muitos aprenderam muitas coisas, outros já detinham muitos conhecimentos... Em síntese: eles acabaram trocando várias informações e passaram a girar ao redor do mesmo projeto.
Portal Opet – Como o senhor avalia o material didático e o Sistema de Ensino Opet?
Vasco Moretto – A leitura do Sistema de Ensino Opet tem vários detalhes. Ele tem alguns pontos que estão extremamente bem colocados - são esses, que foram renovados, do sexto ao nono ano, que não haviam sido adaptados às novas orientações e à nova proposta e com os quais estamos trabalhando. Nós nos reunimos com os autores durante todo um dia para tratar da nova proposta, da nova maneira de escrever, as novas orientações epistemológicas, o que é o conhecimento e como ele se produz. Eu já havia feito uma reunião com o Departamento Comercial e, nesta terça-feira (08.12), estou fazendo uma reunião com o Departamento Pedagógico para dar suporte a isso tudo. Para que todos falem a mesma linguagem. O material de primeira a quarta série está ótimo, a linha está sendo muito bem utilizada e a linha está sendo bem avaliada pelas escolas e pelos e professores. No caso do Ensino Médio, é um próximo projeto da Opet desenvolver esse trabalho.
Portal Opet – Professor Vasco, o senhor trabalha muito com a questão das competências. O material didático Opet, hoje, está voltado para essa direção?
Vasco Moretto – A proposta nova está voltada nessa direção, a do desenvolvimento de competências. E é por isso que se está fazendo a renovação, para que ele reflita plenamente o paradigma das competências. Isso, aliás, é o que está fazendo a Editora a levar a cabo a modificação do material todo, do sexto ao nono ano. Mais do que trabalhar com a linha das competências, o novo material está seguindo por uma linha que é a adotada pelo novo Enem. A linha da construção interativa do conhecimento. O aluno constrói seu conhecimento interagindo com o outro – com o professor, com o colega, com o material e com o contexto social. Então, ele constrói o conhecimento, mas interagindo. Não como receptor, mas como ator, e essa é a nova visão que se tem no mundo sobre a educação. O aluno como aprendente, mas de uma forma interativa. Por isso é que o novo modelo da Opet não se distingue mais pelo sociointeracionismo ou pelo construtivismo, que antes estava muito colocado, mas pelo novo modelo da construção interativa do conhecimento. E o que isso quer dizer? O sujeito constrói seu conhecimento pela interação, e o professor é o intermediador desse processo.
Portal Opet – O Brasil acaba de realizar as provas do Enem. Como o senhor avalia esse processo?
Vasco Moretto – Eu acho a ideia do Enem extraordinária. Sempre haverá falhas e pessoas descontentes, mas a ideia do novo Enem é importantíssima. Eu participei do lançamento do novo Enem em São Paulo e o modelo que o ministro escolheu é o mesmo que nós estamos desenvolvendo há doze anos na Universidade de Brasília. Um modelo que deu certo, e que tem por objetivo formar o pensador e não apenas o decorador de informações. O pensador é aquele que consegue encontrar soluções para situações complexas, e não apenas reproduzir modelos anteriormente colocados como se fosse a prática. Antigamente, a regra era “Siga o modelo!”, hoje é “Encontre solução para uma situação complexa. “”Ah, mas eu nunca vi!” – é aí que está o segredo, porque na hora em que você for profissional, na empresa, pode aparecer coisas que você nunca viu, e vai precisar ser criativo para resolver as demandas. Essa é a ideia.
Portal Opet – Em uma de suas palestras mais recentes, o senhor iniciou sua fala citando opiniões de jornalistas e pensadores pessimistas em relação à educação brasileira. Tomando por base iniciativas como a do novo Enem e as mudanças recentes no vestibular, como o senhor avalia a educação brasileira?
Vasco Moretto – Nós temos dois aspectos a serem avaliados. O primeiro é o produto, o segundo é o processo. O produto ainda não está bom, e a prova disso é o resultado do PISA [Programa Internacional de Avaliação de Alunos] – no PISA, o Brasil está sempre na rabeira, e isso desanima. Esse é o produto. Agora, o processo é que está bom – nunca se viu tantas reuniões de professores, tantos congressos de professores, tanto esforço e tantos sistemas de ensino aparecendo na intenção de dar respostas a modelos como o Enem, a Prova Brasil, as novas formas do vestibular. Tudo isso está mostrando que há, no Brasil, um movimento no sentido de dizer “chega daquilo lá, vamos melhorar!”. Agora, em educação você não planta hoje para colher amanhã, é preciso toda uma geração para que a coisa se processe. E aí há um elemento central, chamado formação dos docentes. O grande problema é que as ideias são ótimas, agora, quem preparou os professores para elas? O professor é aquele que está preparado segundo os padrões de quinze ou vinte anos atrás. Então, essa mudança é lenta, mas se a gente não começar, não pressionar e não preparar os professores, nós nunca teremos a possibilidade de colher frutos no futuro.
Portal Opet – O senhor, então, está otimista...
Vasco Moretto – Muito otimista. Otimista realista. Aliás, é preciso ser realista. A realidade nós construímos – se todo mundo disser que não vai dar certo, não vamos melhorar nunca. Então, eu tenho certeza de que vai melhorar. Aos poucos, mas vai melhorar.
Portal Opet – Para final, eu gostaria de ouvir uma palavra sua a respeito das perspectivas da sua parceria com a Editora Opet para 2010.
Vasco Moretto – Eu estou achando esse trabalho maravilhoso. Como eu vou ficar um ano inteiro, estou ajudando a rever toda a fundamentação, estou lendo o material, orientando os autores, vou me reunir três vezes por mês com as pessoas responsáveis pelo processo, rever e dar apoio ao Ensino à Distância, exatamente para que a Opet tenha uma proposta única, com uma fundamentação única e todos seguindo numa mesma direção. Diante disso, estou prevendo um ano de ouro para a Editora Opet em 2010.

Vasco Moretto: otimista-realista com a educação brasileira